quinta-feira, 7 de março de 2019

Pensar Educação na Modernidade Líquida


Imagem relacionada


Para desenvolver a ideia de modernidade líquida Bauman (2001), compara os sólidos e os líquidos. Os sólidos representam a forma definida, pois são estáveis e duradouros, já os líquidos são instáveis e estão em constante transformação. A educação na modernidade sólida, portanto apresenta um sistema estruturado, com percurso formativo determinado, como sabemos, a aprendizagem durante muito tempo foi vinculada a ideia de absorção das informações, a valorização da memorização, a submissão aos currículos rígidos com ênfase na sucessão de conteúdos predefinidos. Frente a esse panorama, como poderíamos pensar a educação na modernidade líquida?
Podemos começar refletindo sobre a relação entre tempo/espaço. De acordo com Bauman (2001) foi por meio de técnicas e tecnologias criadas pelo homem que a relação entre sujeito e tempo foi modificada, o tempo de viagem, por exemplo, mudou a partir do desenvolvimento dos meios de transporte. Além disso, a percepção de tempo modificou-se com os avanços tecnológicos, as informações passaram a percorrer longas distâncias em segundos. Nesse contexto, temos então um avanço quanto ao acesso à informação, no entanto um dos desafios em pauta na educação é como a partir disso construir conhecimentos? Considerando a escola como espaço privilegiado de construção de saberes, mas ainda com uma infraestrutura e organização sólida, com tempos e espaços definidos. Precisamos pensar sobre “Quais ações estão sendo desenvolvidas no chão da escola para avançarmos na formação de sujeitos críticos?”
É colocado em questionamento também, se o Estado tem contribuído de maneira efetiva para formação dos sujeitos imersos no sistema educacional, posto que, as mudanças constantes interferem nos processos educacionais e principalmente no chão da escola, tendo em vista que, a cada renovação de governo, um “novo” projeto de educação é pensado, o que de fato vem consolidando uma cultura de políticas educacionais descontinuas. Ou seja, o que vemos na verdade são políticas de governo que não conseguem atender a complexidade dos problemas sociais e educacionais. O que temos de sólido nas políticas é a descontinuidade, fortalecendo os discursos de formação com base nas competências de acordo com o mundo do trabalho e com as dinâmicas econômicas.
No mundo líquido onde as demandas de trabalho e as profissões inclusive também tornam-se líquidas, pensemos, para qual mundo os jovens estão sendo “formados”?  Pensando na formação dos sujeitos o que temos de “sólido” para ensinar a nossos estudantes? Não tenho claro, uma resposta concreta para esse complexo problema, mas acredito que temos caminhos para educar na modernidade líquida, que envolve ensinar os estudantes a base do conhecimento científico, logo com incentivo a pesquisa, levantamento de dados, comparações de informações, resolução de problemas, e esta, não é uma tarefa fácil! O que conhecemos hoje enquanto “verdade”, amanhã pode não o ser, e assim sucessivamente podem ser construídas outras verdades, enfim conhecimento é movimento, e com a aceleração e instantaneidade que vivemos, o mesmo se move cada vez mais.
Ainda continuo pensando nesse desafio e pergunto a você, o que de sólido podemos ensinar? E o que de líquido aprendemos com Bauman?





2 comentários:

  1. Olá Jaque,
    e será que precisamos ensinar algo sólido? Não seria uma contradição querer manter algo sólido em meio a tanta fluidez? Veja como sempre nos aferramos a alguma certeza para podermos pensar a educação...

    ResponderExcluir
  2. É exatamente nesse ponto que Bauman me faz refletir, pois no contexto da Educação,o próprio sistema em si, começa constitui-se buscando sempre algo "sólido" enquanto base ou referência, temos então a tradição dos ditos "modelos educacionais". Hoje com a aprovação da Base Nacional Comum Curricular(BNCC), um documento normativo que as escolas devem seguir, vejo como uma contínua busca pelo "sólido" nos processos de ensino e aprendizagem. Se precisamos ensinar algo sólido? Continuo pensando...

    ResponderExcluir