domingo, 24 de março de 2019

Cidadania e redes digitais: o possível e o necessário

A apropriação social da tecnologia possibilita a criação de outras territorialidades em um contexto de desterritorialização próprio da sociedade globalizada (LEMOS 2007). As redes potencializam outras formas de participação dos cidadãos na vida pública em termos sociais e políticos.  O que nos chama atenção é a instantaneidade das informações, como considera Javier Bustamante “a novidade é que os acontecimentos acontecem em lugar e em tempo real”. Temos por meio das redes a possibilidade de produzir, modificar as impressões veiculadas pelas mídias tradicionais. 

Resultado de imagem para massacre suzanoNo dia 13 de março de 2019, ocorreu um massacre na Escola Raul Brasil em Suzano em São Paulo, foram confirmadas 10 mortes e 11 feridos, as emissoras mostraram cenas horríveis dos corpos dos alunos no chão, o pânico dos funcionários da escola. Ao mesmo tempo o movimento jornalistaslivres mostrava outra perspectiva, a questão familiar, a falta de estrutura e segurança nas escolas públicas, a falta de apoio multidisciplinar (médicos, assistente social, psicólogos, psicopedagogos), para atender os estudantes, dando voz aos professores que denunciaram  o descaso com a educação. Dessa maneira, temos a possibilidade de ter acesso a outras formas de produção não mais presa a um padrão centralizado.
As pessoas estão empoderadas de uma maneira ainda nunca vista, mas assim como a Chapeuzinho Vermelho  encontrou no caminho o lobo mau, sabemos que as tecnologias não são neutras, pois são desenvolvidas por pessoas, assim existem pessoas que querem usar as tecnologias para melhores governos, melhores democracias e maior distribuição de poderes e aquelas que querem proteger seu mercado e interesse político, por isso temos que avançar para informação democratizada, em vez de controlada, um importante avanço no Brasil ocorreu com a construção do Marco Civil da Internet.

 Resultado de imagem para Marco Civil da Internet O Marco Civil da Internet estabelece os direitos e deveres para uso da internet, foi criado e debatido por muitas pessoas com em rede, encaminhado e aprovado no Congresso, tendo como base três pilares: liberdade, neutralidade e privacidade. Essa Lei ficou conhecida mundialmente porque foi construída de uma forma aberta e transparente, uma experiência que influenciou vários países, a exemplo da Itália que logo depois fez um documento intitulado “Declaração dos Direitos na Internet” com base nos princípios do Marco Civil.
 No entanto, ainda temos vários desafios, como a garantia de conectividade, e a qualidade de acesso para todos os cidadãos, avançar na igualdade de condições de acesso e ao mesmo tempo respeito as diferenças. Vivemos em um mundo com mais de 200 nações compartilhando territórios, as informações circulam de forma planetária por meio de diversos formatos, simultaneamente vivemos em tempos de vigilância, quando acessamos a rede deixamos rastros, a pergunta que podemos fazer é quem controla e onde ficam armazenadas essas informações?

 




 

3 comentários:

  1. Hola Jaqui, que pregunta difícil de responder!! Coincido con vos, y con los autores, cuando expresas que las tecnologías no son neutras. Pero también me parece interesante lograr que no se endiosen, ni se demonicen las tecnologías, sino que se resalta siempre la mano de los sujetos por detrás de ellas, administrando su funcionamiento e interactuando con ellas. Creo, como vos bien decís, que hay quienes tienen una interacción con las tecnologías digitales benévola, y por supuesto, hay gente que está posicionada desde otra perspectiva.

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  2. Um grande avanço o Marco Civil da Internet, foi construído de fora democrática, com a participação da sociedade, mas a grande maioria da população nem sabe o que é isso, desconhece a ação dos grupos hegemônicos tentando controlar a rede e não sabe de seus direitos. Daí a importância de nos mantermos sempre vigilantes, de forma a garantir o Marco, e ao mesmo tempo sendo educadores que formam as pessoas para compreender esse contexto, seus embates, suas potencialidades, os interesses dos grupos e do mercado. Muitos desafios!

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  3. A pergunta é instigante! O que não sai da minha cabeça é o lugar da escola na propagação da educação e da ética para uso dessa tecnologia. A responsabilidade e o olhar crítico deve ser lançado e cultivado dentro dos currículos, bem como praticar o uso consciente dessa poderosa força do conhecimento. Vamos adiante!

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