Para desenvolver a ideia de modernidade
líquida Bauman (2001), compara os sólidos e os líquidos. Os sólidos representam
a forma definida, pois são estáveis e duradouros, já os líquidos são instáveis
e estão em constante transformação. A educação na modernidade sólida, portanto apresenta
um sistema estruturado, com percurso formativo determinado, como sabemos, a
aprendizagem durante muito tempo foi vinculada a ideia de absorção das
informações, a valorização da memorização, a submissão aos currículos rígidos
com ênfase na sucessão de conteúdos predefinidos. Frente a esse panorama, como
poderíamos pensar a educação na modernidade líquida?
Podemos
começar refletindo sobre a relação entre tempo/espaço. De acordo com Bauman (2001)
foi por meio de técnicas e tecnologias criadas pelo homem que a relação entre sujeito
e tempo foi modificada, o tempo de viagem, por exemplo, mudou a partir do
desenvolvimento dos meios de transporte. Além disso, a percepção de tempo
modificou-se com os avanços tecnológicos, as informações passaram a percorrer
longas distâncias em segundos. Nesse contexto, temos então um avanço quanto ao
acesso à informação, no entanto um dos desafios em pauta na educação é como a
partir disso construir conhecimentos? Considerando a escola como espaço
privilegiado de construção de saberes, mas ainda com uma infraestrutura e
organização sólida, com tempos e espaços definidos. Precisamos pensar sobre “Quais
ações estão sendo desenvolvidas no chão da escola para avançarmos na formação
de sujeitos críticos?”
É
colocado em questionamento também, se o Estado tem contribuído de maneira
efetiva para formação dos sujeitos imersos no sistema educacional, posto que,
as mudanças constantes interferem nos processos educacionais e principalmente
no chão da escola, tendo em vista que, a cada renovação de governo, um “novo”
projeto de educação é pensado, o que de fato vem consolidando uma cultura de
políticas educacionais descontinuas. Ou seja, o que vemos na verdade são
políticas de governo que não conseguem atender a complexidade dos problemas
sociais e educacionais. O que temos de sólido nas políticas é a
descontinuidade, fortalecendo os discursos de formação com base nas
competências de acordo com o mundo do trabalho e com as dinâmicas econômicas.
No
mundo líquido onde as demandas de trabalho e as profissões inclusive também tornam-se
líquidas, pensemos, para qual mundo os jovens estão sendo “formados”? Pensando na formação dos sujeitos o que temos
de “sólido” para ensinar a nossos estudantes? Não tenho claro, uma resposta concreta
para esse complexo problema, mas acredito que temos caminhos para educar na
modernidade líquida, que envolve ensinar os estudantes a base do conhecimento
científico, logo com incentivo a pesquisa, levantamento de dados, comparações
de informações, resolução de problemas, e esta, não é uma tarefa fácil! O que conhecemos
hoje enquanto “verdade”, amanhã pode não o ser, e assim sucessivamente podem
ser construídas outras verdades, enfim conhecimento é movimento, e com a aceleração
e instantaneidade que vivemos, o mesmo se move cada vez mais.
Ainda
continuo pensando nesse desafio e pergunto a você, o que de sólido podemos
ensinar? E o que de líquido aprendemos com Bauman?

Olá Jaque,
ResponderExcluire será que precisamos ensinar algo sólido? Não seria uma contradição querer manter algo sólido em meio a tanta fluidez? Veja como sempre nos aferramos a alguma certeza para podermos pensar a educação...
É exatamente nesse ponto que Bauman me faz refletir, pois no contexto da Educação,o próprio sistema em si, começa constitui-se buscando sempre algo "sólido" enquanto base ou referência, temos então a tradição dos ditos "modelos educacionais". Hoje com a aprovação da Base Nacional Comum Curricular(BNCC), um documento normativo que as escolas devem seguir, vejo como uma contínua busca pelo "sólido" nos processos de ensino e aprendizagem. Se precisamos ensinar algo sólido? Continuo pensando...
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