domingo, 21 de abril de 2019

EAD: possibilidades e desafios

 

Temos que considerar que a modalidade da Educação a distância amplia as possibilidades de acesso a educação principalmente nas regiões do Brasil, que não têm cursos superiores ou que para conseguir ter acesso ao curso, além do elevado custo, as vezes os estudantes tem dificuldade de deslocamento.
No entanto, temos que considerar que a implantação de programas de educação a distância, em larga escala, por si só, não garante a universalização da educação e a formação.
Na discussão dessa modalidade temos então que pensar nos problemas que envolve a educação de modo geral. O  que adianta o estudante ter acesso a educação à distância, acessar o ambiente de aprendizagem que se resume em apostilas, referencias para leitura, e videoaulas sem possibilidade de interação com os professores e colegas? 
A lógica da transmissão e consumo de informações continua reproduzindo os mesmos problemas da educação chamada de presencial. É fundamental a inserção das tecnologias digitais no ensino,   seja no espaço físico ou virtual. O problema que se coloca é qual  a concepção de educação, currículo, avaliação  que está vinculada as experiências de ensino e aprendizagem nesses programas.

domingo, 14 de abril de 2019

Colaboração em rede





 Podemos chamar nossos vizinhos e nos organizar para diminuir os resíduos espalhados pela rua,  ou para  organizar os carros estacionados em lugares inadequados que causam transtornos para todo  o grupo, nesse contexto vamos colaborar em conjunto para alcançar nosso bem comum, um ambiente limpo e organizado, mas perceba que estamos falando de um grupo pequeno de pessoas, localizadas no mesmo ambiente físico.

A colaboração em rede modifica e amplia as possibilidades de agregar pessoas em projetos comuns, num processo marcado pela não linearidade, troca, compartilhamento. Um exemplo disso, são as redes de colaboração de economia solidária que articulam produtores distribuídos por todos os lugares do país que, via rede, trocam experiências e sobrevivem ao poder das grandes corporações.

 Imagem relacionada


O movimento social de software livre com seus princípios e  formas de organização exemplifica a importância dos processos colaborativos para criação, são as trocas que trazem o fortalecimento da rede. Os princípios garantem aos interagentes a liberdade de:

1. Liberdade de executar o software: para qualquer uso;
2. Liberdade de modificar o software: estudar o funcionamento de um programa e de adaptá-lo às suas necessidades;

3. Liberdade de redistribuir cópias;

4. Liberdade de melhorar o programa e de tornar as modificações públicas de modo que a comunidade inteira beneficie da melhoria.

Essas “liberdades” garantem que nenhuma pessoa física ou jurídica possa se apropriar de algo que foi e está sendo desenvolvido coletiva e colaborativamente baseado na licença de software GNU
 O foco no trabalho coletivo, colaborativo e aberto é básico para enfrentarmos a perspectiva individualista e  consumista reinante nas sociedades ocidentais contemporâneas.(PRETTO;BONILLA, 2015, p.26-27). 
A perspectiva do conhecimento aberto, da colaboração, da criação é fundamental para educação, visto que trabalha com a construção de conhecimentos, e o conhecimento é livre por natureza. No entanto, como sinaliza os autores vivemos numa sociedade capitalista, marcada pelo consumo, é necessário portanto romper a barreira da individualidade, criar estratégias, temos que exercitar nossa capacidade de desafiar o poder instituído e reivindicar a representação dos nossos valores e interesses com base no bem comum.
    A educação tem papel essencial nessa luta pela prevalência da colaboração, mas ainda estamos a passos lentos, apesar dos investimentos em políticas públicas no Brasil para inserção das tecnologias digitais nas escolas públicas, ainda temos que avançar e muito, sobretudo na articulação entre as políticas de educação, ciência, cultura e tecnologia. O que temos é a inserção das tecnologias digitais nas escolas de forma precária, sem investimento na infraestrutura física e de rede, o que dificulta as vivências e experiências com as dinâmicas dos ambientes. 
E não poderíamos desconsiderar a importância dos professores e da formação para apropriação social, política e cultural das tecnologias digitais. Contudo, o que vemos são programas criados com "pacotes" fechados, na perspectiva instrumental de ensinar os professores a usar determinado software ou dispositivos. As mudanças nos processos educativos  exigem tempo, investimento em infraestrutura física e tecnológica e fortalecimento dos professores. 
    Podemos perceber a importância dessa formação por meio da análise de algumas experiências com o uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem- AVA. Esse ambientes utilizam diferentes recursos, alguns com controle de acesso, outros com restrições de participação outras com ou sem moderador; entre eles destacam-se estão o Moodle, TelEduc e Edmodo.
 A autora Edmea Oliveira dos Santos (2005) em sua tese apresenta alguns desafios para prática docente nesses ambientes, como a necessidade de superar as práticas instrucionistas  que são centradas na distribuição de conteúdos com cobrança coercitiva de tarefas e sem mediação pedagógica. Não basta utilizar os ambientes digitais nos processos educativos é necessário compreender o potencial colaborativo e criativo das redes, incentivar nossos alunos a produzir conhecimentos. 
Continuamos na luta, para prevalência da colaboração e do compartilhamento, pelo acesso livre e aberto ao conhecimento! 
Avante!