Podemos chamar nossos vizinhos e nos organizar para diminuir os resíduos espalhados
pela rua, ou para organizar os carros estacionados em lugares
inadequados que causam transtornos para todo o grupo, nesse contexto vamos
colaborar em conjunto para alcançar nosso bem comum, um ambiente limpo e
organizado, mas perceba que estamos falando de um grupo pequeno de pessoas, localizadas
no mesmo ambiente físico.
A
colaboração em rede modifica e amplia as possibilidades de agregar pessoas em
projetos comuns, num processo marcado pela não linearidade, troca,
compartilhamento. Um exemplo disso, são as redes de colaboração de economia
solidária que articulam produtores distribuídos por todos os lugares do país
que, via rede, trocam experiências e sobrevivem ao poder das grandes
corporações.
O movimento social de software livre com seus princípios e formas de organização
exemplifica a importância dos processos colaborativos para criação, são as
trocas que trazem o fortalecimento da rede. Os princípios garantem aos interagentes a liberdade de:
1.
Liberdade de executar o software:
para qualquer uso;
2.
Liberdade de modificar o software:
estudar o funcionamento de um programa
e de adaptá-lo às suas necessidades;
3.
Liberdade de redistribuir cópias;
4.
Liberdade de melhorar o programa e
de tornar as modificações públicas de modo
que a comunidade inteira beneficie da melhoria.
Essas “liberdades” garantem que nenhuma pessoa física
ou jurídica possa se apropriar de algo que foi e está sendo desenvolvido
coletiva e colaborativamente baseado na licença de software GNU.
O foco no trabalho coletivo, colaborativo e aberto é básico para enfrentarmos a perspectiva individualista e consumista reinante nas sociedades ocidentais contemporâneas.(PRETTO;BONILLA, 2015, p.26-27).
A perspectiva do conhecimento aberto, da colaboração, da criação é fundamental para educação, visto que trabalha com a construção de
conhecimentos, e o conhecimento é livre por natureza. No entanto, como sinaliza os autores vivemos numa sociedade capitalista, marcada pelo consumo, é necessário portanto romper a
barreira da individualidade, criar estratégias, temos que exercitar nossa capacidade de desafiar o poder instituído e reivindicar a representação dos nossos valores e interesses com base no bem comum.
A educação tem papel essencial
nessa luta pela prevalência da colaboração, mas ainda estamos a passos lentos, apesar dos investimentos em
políticas públicas no Brasil para inserção das tecnologias digitais nas
escolas públicas, ainda temos que avançar e muito, sobretudo na
articulação entre as políticas de educação, ciência, cultura e
tecnologia. O que temos é a inserção das tecnologias digitais nas escolas de forma precária, sem investimento na infraestrutura física e de rede, o que dificulta as vivências e experiências com as dinâmicas dos ambientes.
E não poderíamos desconsiderar a importância dos professores e da formação para apropriação social, política e cultural das tecnologias digitais. Contudo, o que vemos são programas criados com "pacotes" fechados, na perspectiva instrumental de ensinar os professores a usar determinado software ou dispositivos. As mudanças nos processos educativos exigem tempo,
investimento em infraestrutura física e tecnológica e fortalecimento dos
professores.
Podemos perceber a importância dessa formação por meio da análise de algumas experiências com o uso do Ambiente Virtual de Aprendizagem- AVA. Esse ambientes utilizam diferentes recursos, alguns com controle de acesso, outros com restrições de participação
outras com
ou sem moderador; entre eles destacam-se estão o Moodle, TelEduc e Edmodo.
A autora Edmea Oliveira dos Santos (2005) em sua tese apresenta alguns desafios para prática docente nesses ambientes, como a necessidade de superar as práticas instrucionistas que são centradas na distribuição de conteúdos com cobrança coercitiva de tarefas e sem mediação pedagógica. Não basta utilizar os ambientes digitais nos processos educativos é necessário compreender o potencial colaborativo e criativo das redes, incentivar nossos alunos a produzir conhecimentos.
Continuamos na luta, para prevalência da colaboração e do compartilhamento, pelo acesso livre e aberto ao conhecimento!
Avante!