Essa
expressão baiana, utilizada em algumas entrevistas do professor e
ativista Nelson Pretto, demonstra a necessidade de mudança
individual, coletiva e sobretudo política em relação a
democratização da comunicação. Isso significa ir além da
liberdade de expressão, falar em Direito à Comunicação hoje num
contexto de inserção das tecnologias digitais nos diversos âmbitos
da sociedade, é sobretudo ter acesso à rede. No Brasil, o que temos
é uma guerra entre as grandes empresas de telecomunicações para vê
quem fica com o “pirão”primeiro. Temos o desafio de lutar por
esse bem público (que está ameaçado) e ao mesmo tempo, de
informar e conscientizar as pessoas dessa disputa. Pois infelizmente
(não por acaso) a maioria da população não tem acesso as nuances
que envolve o acesso à internet. Desde o governo de Michel Temer
que os interesses privados são atendidos ampliando a lógica da
privatização e enfraquecendo da pauta de luta por esse direito
público a Comunicação.
A
desinformação da maioria das pessoas no que se refere aos
interesses políticos e de mercado é utilizada como estratégia de
manipulação social, um exemplo claro é a quantidade de inverdades
utilizadas pelo então eleito presidente do Brasil, Jair Bolsonaro
durante a campanha e pós campanha alimentando um discurso de ódio.
Estamos sofrendo um ataque a liberdade de expressão e ao direito à
comunicação, que podemos perceber por meio da quantidade de
assassinatos de comunicadores e ativistas nos últimos anos.
O
que fazemos diante desse cenário? Temos que plantar a esperança, a
vontade de luta e mudança! Historicamente passamos por muitos
momentos difíceis, imagine se todos que sofreram no Regime Militar
tivessem desistido de lutar?
De
acordo com Bonilla e Pretto “ é na liberdade, e não no
cerceamento, de forma coletiva e colaborativa, que o conhecimento é
produzido, que a autoria e a criatividade emergem”(pág 24).
Diria
que temos que enfrentar o cerceamento a partir do hackeamento
compreendo este último, como
um jeito hacker de
ser que envolve a ética, a
resolução de problemas, o
compartilhamento das
informações novas com toda a comunidade, a defesa pelo conhecimento
livre e aberto, que apresenta
um grande potencial para os processos comunicacionais,
para tanto, é necessário
investir na formação ética, estética e política de toda
sociedade, para compreender o porque tem que ser “farinha pouca, um
pouquinho para todo mundo”.