domingo, 31 de março de 2019

Perdido em Salvador? Tecnologias móveis e localização


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Se você já se perdeu em Salvador sabe bem como é a sensação, dirigindo e olhando as placas na cidade (que não ajudam muito), observando os pedestres, desesperado(a) e pensando a quem pergunto? E ao mesmo tempo imaginando, e se me informar a direção errada? Vou continuar circulando sem conseguir chegar ao meu destino. Ufa, ainda bem que esse sufoco já passou não é? Pelo menos se você utiliza o aplicativo Waze, no seu aparelho móvel. O aplicativo está baseado em navegação GPS, considerado 100% móvel, ou seja, não utiliza  satélites para guiar, mas a rede móvel. Além disso, funciona gratuitamente e de forma colaborativa, pois as pessoas atualizam em tempo real a situação do trajeto, assim recebe  alertas em tempo real, e tem uma interface com mapa e orientações por voz, ainda tem acesso a uma previsão de horário que chegará ao seu destino. Que maravilha hein? Instala o aplicativo, digita o endereço e pronto só seguir o comando de voz, e observar os mapas, chegará ao seu destino. 
Ao caminhar portando um dispositivo conectado podemos produzir, socializar e acessar informações. Percebemos a ampliação do conceito de mobilidade, pois não se restringe à possibilidade de nos movimentarmos, por diferentes lugares, estados, países. Não se trata apenas de deslocamentos. Abrange o movimento de objetos, ideias e informação. Pelas redes digitais móveis, com a instantaneidade da veiculação das informações e pelos processos comunicacionais que  acontecem em rede, interagimos globalmente estando em um mesmo lugar.
No entanto, como considera André Lemos "os diversos dispositivos digitais estão nos colocando em meio a formas sutis de controle e vigilância". Ao mesmo tempo em que temos facilidade para chegar ao nosso trajeto, os caminhos que mais utilizamos ficam registrados na rede, e como essas informações podem ser utilizadas não sabemos.
Dessa maneira, não podemos pensar de forma ingênua a rede, como espaço livre de controle, como ressalta Lemos "as mídias contemporâneas instauram processos de territorialização e desterritorialização, a partir da compreensão espaço-tempo e do desencaixe, que criam novas geometrias do poder e novos agenciamentos." 
Lemos considera a territorialização como uma significação do território, definindo território a partir da ideia de controle de fronteiras ( físicas, sociais, simbólicas, culturais, subjetivas). Dessa forma a territorialização é uma significação do território (político, econômico, simbólico, subjetivo. Criar um território é controlar processos que se dão no interior dessas fronteiras. Já o processo de desterritorialização se dá através da (re)significação, das formas de combate e construção das linhas de fuga, "desterritorializar é, por sua vez, se movimentar nessas fronteiras, re-significar o inscrito e o instituído."
Temos que nos apropriarmos desses processos de desterritorialização em todos os espaços que nos movimentarmos, temos como exemplo, os movimentos sociais que são organizados em rede, que não se baseiam em políticas partidárias, sem uma liderança criam uma organização que superam os modelos tradicionais e favorecem o debate coletivo, tomam decisão e ocupam os espaços com muita luta.
Cabe questionar como vamos mobilizar todos cidadãos para este enfrentamento?





 

domingo, 24 de março de 2019

Cidadania e redes digitais: o possível e o necessário

A apropriação social da tecnologia possibilita a criação de outras territorialidades em um contexto de desterritorialização próprio da sociedade globalizada (LEMOS 2007). As redes potencializam outras formas de participação dos cidadãos na vida pública em termos sociais e políticos.  O que nos chama atenção é a instantaneidade das informações, como considera Javier Bustamante “a novidade é que os acontecimentos acontecem em lugar e em tempo real”. Temos por meio das redes a possibilidade de produzir, modificar as impressões veiculadas pelas mídias tradicionais. 

Resultado de imagem para massacre suzanoNo dia 13 de março de 2019, ocorreu um massacre na Escola Raul Brasil em Suzano em São Paulo, foram confirmadas 10 mortes e 11 feridos, as emissoras mostraram cenas horríveis dos corpos dos alunos no chão, o pânico dos funcionários da escola. Ao mesmo tempo o movimento jornalistaslivres mostrava outra perspectiva, a questão familiar, a falta de estrutura e segurança nas escolas públicas, a falta de apoio multidisciplinar (médicos, assistente social, psicólogos, psicopedagogos), para atender os estudantes, dando voz aos professores que denunciaram  o descaso com a educação. Dessa maneira, temos a possibilidade de ter acesso a outras formas de produção não mais presa a um padrão centralizado.
As pessoas estão empoderadas de uma maneira ainda nunca vista, mas assim como a Chapeuzinho Vermelho  encontrou no caminho o lobo mau, sabemos que as tecnologias não são neutras, pois são desenvolvidas por pessoas, assim existem pessoas que querem usar as tecnologias para melhores governos, melhores democracias e maior distribuição de poderes e aquelas que querem proteger seu mercado e interesse político, por isso temos que avançar para informação democratizada, em vez de controlada, um importante avanço no Brasil ocorreu com a construção do Marco Civil da Internet.

 Resultado de imagem para Marco Civil da Internet O Marco Civil da Internet estabelece os direitos e deveres para uso da internet, foi criado e debatido por muitas pessoas com em rede, encaminhado e aprovado no Congresso, tendo como base três pilares: liberdade, neutralidade e privacidade. Essa Lei ficou conhecida mundialmente porque foi construída de uma forma aberta e transparente, uma experiência que influenciou vários países, a exemplo da Itália que logo depois fez um documento intitulado “Declaração dos Direitos na Internet” com base nos princípios do Marco Civil.
 No entanto, ainda temos vários desafios, como a garantia de conectividade, e a qualidade de acesso para todos os cidadãos, avançar na igualdade de condições de acesso e ao mesmo tempo respeito as diferenças. Vivemos em um mundo com mais de 200 nações compartilhando territórios, as informações circulam de forma planetária por meio de diversos formatos, simultaneamente vivemos em tempos de vigilância, quando acessamos a rede deixamos rastros, a pergunta que podemos fazer é quem controla e onde ficam armazenadas essas informações?

 




 

segunda-feira, 18 de março de 2019

Reflexões culturas e pós-humano


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 A partir dessa imagem podemos pensar nas potencialidades do digital. Antes da fotografia as imagens eram produzidas a partir de habilidades técnicas, manuais pelos artistas. Com o advento das máquinas fotográficas conseguimos capturar imagens do mundo visível. A linguagem digital através de algoritmos possibilita a criação de uma imagem, que não precisa passar pela fase de captura, vai além do visível, pois  podemos manipular as informações, a linguagem digital  por ser maleável, fluida pode ser transformada infinitas vezes e rapidamente.
 
O processo de digitalização das informações facilita e amplia as possibilidades de distribuição e difusão das informações. Esse texto por exemplo pode ser lido em qualquer tempo e lugar e você enquanto interagente tem a possibilidade de comentar, questionar e não só consumir essas informações. 
 Podemos questionar como essas mudanças, na produção de imagens, na distribuição e difusão de informações transformam nossa forma de pensar, ser e agir? 
"A cultura humana existe num continuum, ela é cumulativa, não no sentido linear, mas no sentido de interação incessante de tradição e mudança, persistência e transformação"(SANTAELLA, 2003,p.57). 

Na discussão sobre cultura das mídias Santaella ressalta a característica da convergência, que está cada dia mais presente no nosso cotidiano. A convergência entre as mídias emerge do advento do digital, da possibilidade de inúmeras manipulações. Por ser o digital flexível, é possível “juntar”todas as linguagens em uma só base de informação para atender às diversas necessidades humanas de produção de informação e de comunicação.


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O celular é um exemplo disso, em decorrência do desenvolvimento tecnológico não se restringe apenas à função de fazer ligações, pois atualmente há aparelhos celulares que têm as funções de tocar músicas, executar,gravar áudio e vídeo, fotografar e conectar-se à internet sem fio, possibilitando outras formas de comunicação.
Além disso, em rede as informações são partilhadas e trocadas em tempo real, entre um grande número de pessoas, mesmo distantes geograficamente. O acesso concomitante à informação em rede possibilita o compartilhamento do conteúdo sem haver, no entanto, dificuldade e custos embutidos, por exemplo, na distribuição de produtos físicos, como os livros.
Há também um crescimento intenso de produção de informações na sociedade, não sendo exclusividade das grandes corporações, como as produzidas pelas emissoras de TV. Passa a ocorrer uma possível quebra da centralização da informação, qualquer pessoa conectada em rede tem a possibilidade de criar, discutir, questionar diante das inúmeras informações que produzem e consomem. Surge a possibilidade de trabalhar com essas informações disponíveis, e favorecer a interatividade e a criatividade.
Ao mesmo tempo, temos que problematizar essa possibilidade de acesso e produção sem "custos". De que forma o mercado se apropria dessas informações? Quando buscamos,por exemplo, um livro relacionado ao tema das tecnologias digitais, e ao acessar nosso email aparecem várias propagandas de outros livros com o mesmo tema,  isso significa, que ao buscar informações em rede estamos também ajudando as empresas na construção digamos assim de um perfil de interesse.



quinta-feira, 7 de março de 2019

Pensar Educação na Modernidade Líquida


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Para desenvolver a ideia de modernidade líquida Bauman (2001), compara os sólidos e os líquidos. Os sólidos representam a forma definida, pois são estáveis e duradouros, já os líquidos são instáveis e estão em constante transformação. A educação na modernidade sólida, portanto apresenta um sistema estruturado, com percurso formativo determinado, como sabemos, a aprendizagem durante muito tempo foi vinculada a ideia de absorção das informações, a valorização da memorização, a submissão aos currículos rígidos com ênfase na sucessão de conteúdos predefinidos. Frente a esse panorama, como poderíamos pensar a educação na modernidade líquida?
Podemos começar refletindo sobre a relação entre tempo/espaço. De acordo com Bauman (2001) foi por meio de técnicas e tecnologias criadas pelo homem que a relação entre sujeito e tempo foi modificada, o tempo de viagem, por exemplo, mudou a partir do desenvolvimento dos meios de transporte. Além disso, a percepção de tempo modificou-se com os avanços tecnológicos, as informações passaram a percorrer longas distâncias em segundos. Nesse contexto, temos então um avanço quanto ao acesso à informação, no entanto um dos desafios em pauta na educação é como a partir disso construir conhecimentos? Considerando a escola como espaço privilegiado de construção de saberes, mas ainda com uma infraestrutura e organização sólida, com tempos e espaços definidos. Precisamos pensar sobre “Quais ações estão sendo desenvolvidas no chão da escola para avançarmos na formação de sujeitos críticos?”
É colocado em questionamento também, se o Estado tem contribuído de maneira efetiva para formação dos sujeitos imersos no sistema educacional, posto que, as mudanças constantes interferem nos processos educacionais e principalmente no chão da escola, tendo em vista que, a cada renovação de governo, um “novo” projeto de educação é pensado, o que de fato vem consolidando uma cultura de políticas educacionais descontinuas. Ou seja, o que vemos na verdade são políticas de governo que não conseguem atender a complexidade dos problemas sociais e educacionais. O que temos de sólido nas políticas é a descontinuidade, fortalecendo os discursos de formação com base nas competências de acordo com o mundo do trabalho e com as dinâmicas econômicas.
No mundo líquido onde as demandas de trabalho e as profissões inclusive também tornam-se líquidas, pensemos, para qual mundo os jovens estão sendo “formados”?  Pensando na formação dos sujeitos o que temos de “sólido” para ensinar a nossos estudantes? Não tenho claro, uma resposta concreta para esse complexo problema, mas acredito que temos caminhos para educar na modernidade líquida, que envolve ensinar os estudantes a base do conhecimento científico, logo com incentivo a pesquisa, levantamento de dados, comparações de informações, resolução de problemas, e esta, não é uma tarefa fácil! O que conhecemos hoje enquanto “verdade”, amanhã pode não o ser, e assim sucessivamente podem ser construídas outras verdades, enfim conhecimento é movimento, e com a aceleração e instantaneidade que vivemos, o mesmo se move cada vez mais.
Ainda continuo pensando nesse desafio e pergunto a você, o que de sólido podemos ensinar? E o que de líquido aprendemos com Bauman?