Se você já se perdeu em Salvador sabe bem como é a sensação, dirigindo e olhando as placas na cidade (que não ajudam muito), observando os pedestres, desesperado(a) e pensando a quem pergunto? E ao mesmo tempo imaginando, e se me informar a direção errada? Vou continuar circulando sem conseguir chegar ao meu destino. Ufa, ainda bem que esse sufoco já passou não é? Pelo menos se você utiliza o aplicativo Waze, no seu aparelho móvel. O aplicativo está baseado em navegação GPS, considerado 100% móvel, ou seja, não utiliza satélites para guiar, mas a rede móvel. Além disso, funciona gratuitamente e de forma colaborativa, pois as pessoas atualizam em tempo real a situação do trajeto, assim recebe alertas em tempo real, e tem uma interface com mapa e orientações por voz, ainda tem acesso a uma previsão de horário que chegará ao seu destino. Que maravilha hein? Instala o aplicativo, digita o endereço e pronto só seguir o comando de voz, e observar os mapas, chegará ao seu destino.
Ao caminhar portando um dispositivo conectado podemos produzir, socializar e acessar informações. Percebemos a ampliação do conceito de mobilidade, pois não se restringe à possibilidade de nos movimentarmos, por diferentes lugares, estados, países. Não se trata apenas de deslocamentos. Abrange o movimento de objetos, ideias e informação. Pelas redes digitais móveis, com a instantaneidade da veiculação das informações e pelos processos comunicacionais que acontecem em rede, interagimos globalmente estando em um mesmo lugar.
No entanto, como considera André Lemos "os diversos dispositivos digitais estão nos colocando em meio a formas sutis de controle e vigilância". Ao mesmo tempo em que temos facilidade para chegar ao nosso trajeto, os caminhos que mais utilizamos ficam registrados na rede, e como essas informações podem ser utilizadas não sabemos.
Dessa maneira, não podemos pensar de forma ingênua a rede, como espaço livre de controle, como ressalta Lemos "as mídias contemporâneas instauram processos de territorialização e desterritorialização, a partir da compreensão espaço-tempo e do desencaixe, que criam novas geometrias do poder e novos agenciamentos."
Lemos considera a territorialização como uma significação do território, definindo território a partir da ideia de controle de fronteiras ( físicas, sociais, simbólicas, culturais, subjetivas). Dessa forma a territorialização é uma significação do território (político, econômico, simbólico, subjetivo. Criar um território é controlar processos que se dão no interior dessas fronteiras. Já o processo de desterritorialização se dá através da (re)significação, das formas de combate e construção das linhas de fuga, "desterritorializar é, por sua vez, se movimentar nessas fronteiras, re-significar o inscrito e o instituído."
Temos que nos apropriarmos desses processos de desterritorialização em todos os espaços que nos movimentarmos, temos como exemplo, os movimentos sociais que são organizados em rede, que não se baseiam em políticas partidárias, sem uma liderança criam uma organização que superam os modelos tradicionais e favorecem o debate coletivo, tomam decisão e ocupam os espaços com muita luta.
Cabe questionar como vamos mobilizar todos cidadãos para este enfrentamento?
