domingo, 2 de junho de 2019

Se tô dentro não tô fora: Inclusão Digital





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"Se tô dentro não tô fora
Se tô fora não tô dentro
Se tô fora não tô dentro
Se tô dentro, dentro eu vou ficar."


Esse trecho da música "Tô dentro, Tô fora" expressa uma das ambiguidades do termo Inclusão Digital.
Vamos pensar nos sujeitos que vivem no campo que ainda enfrentam problemas com falta de saneamento básico, em algumas realidades, falta de energia elétrica etc. O que seria ser incluído digitalmente?  Ao digitar as palavras chave: inclusão digital e zona rural" no buscador, apareceram várias imagens, a que mais me chamou atenção foi essa que mostra uma trabalhadora rural com um computador na mão no meio da plantação de milho. Ser incluído então significa ter acesso às tecnologias digitais?
 O termo inclusão digital utilizado muitas vezes, como marketing, pelo governo, instituições para compor "um jargão apelativo nas abordagens políticas de caráter geral e populista" (BONILLA, OLIVEIRA, 2011). Além de propagar o discurso da "inclusão digital" como solução para todos os problemas sociais. 
 
Podemos analisar o exemplo do
 Resultado de imagem para inclusão digital zona rural

Serviço Nacional de Aprendizagem Rural  (SENAR), entre os programas oferecidos pela instituição, tem o programa de Inclusão Digital Rural, entre os objetivos desse programa consta:
Beneficiar os produtores e trabalhadores rurais com informações que agreguem conhecimentos modernos ao seu meio com vistas a alcançar a eficiência na propriedade rural;
Promover mudança de hábito e comportamento com vistas à nova identidade do produtor como empreendedor rural;
Ao aprender a usar os recursos da informática e da internet, as pessoas do meio rural podem fazer, gratuitamente, os cursos de Educação à Distância do SENAR, a EaD-SENAR. Basta ter um computador em casa, no sindicato ou acesso a uma lan house. 
Veja se tem que mudar de hábito e comportamento é porque existe um padrão, uma forma pronta que vai possibilitar até uma “nova identidade”, além disso, os trabalhadores rurais irão agregar conhecimentos “modernos”, tudo isso explicita uma visão de campo, como lugar de atraso, do primitivo e que, portanto precisa da “inclusão digital” para se modernizar. O que os sujeitos precisam é de um projeto de sociedade que considere o campo como espaço de vida e respeite os modos de ser e fazer dessas populações.
O acesso é importante, mas o que está em discussão aqui são as ambiguidades e contradições do termo inclusão digital. Além disso, esses programas e ações chegam às comunidades de forma isolada, desarticulada, pois não consideram as especificidades dos processos vividos pelas comunidades. 
Não podemos considerar os sujeitos que vivem no campo como "fora do social", visto que fazem parte da sociedade, mas precisamos garantir a democratização do acesso a todos os bens culturais, inclusive as tecnologias digitais. Apesar de fazer parte da sociedade o que podemos discutir é a participação desses sujeitos, pois ao restringir o acesso, e a compreensão política, a participação dos sujeitos pode ser "subordinada, muitas vezes até alienada, mas faz parte de um projeto de sociedade para manutenção do sistema capitalista.(BONILLA, OLIVEIRA, 2011).
É necessário superar a perspectiva da inclusão digital numa dimensão técnica, pois a forma como as políticas são formuladas e implementadas parece que para as populações que estão "fora" basta saber  utilizar determinado programa, com cursos rápidos preparatórios que serão incluídos, entretanto não discutem as questões sociais e políticas imbricadas nesse processo.
Se pensarmos quem são os incluídos ou excluídos digitalmente, estamos partindo de uma concepção dual que limita a complexidade das dinâmicas sociais, pois "incluir significa inserir, introduzir, adaptar os indivíduos em determinado modelo, a uma dada realidade pronta. (BONILLA, OLIVEIRA, 2011).
Temos que possibilitar os sujeitos que vivem no campo e na cidade a democratização do acesso as tecnologias digitais, isso significa considerar as peculiaridades de cada comunidade, mas também devem ter como base os princípios do softwarelivre, que permita adaptar as necessidades dos sujeitos. Outro desafio é a garantia da conexão de qualidade, ou seja, é preciso ter conhecimento da  dimensão política, e não somente técnica que está colocada.

2 comentários:

  1. Me gustó esa metáfora sobre lo que significa estar adentro y estar afuera. Ella representa, justamente, lo que pasa en nuestras sociedades latinoamericanas. Existe, a mi criterio, un desfase grande entre las políticas, la implementación y el letramiento. Creo que debemos trabajar en crear políticas acordes con nuestra realidad. Si no lo hacemos, vamos a continuar con los mismos problemas.

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  2. Vixe!!! os objetivos desse programa de inclusão digital rural são de assustar, pois desconsidera totalmente o que seja um trabalhador do campo, suas especificidades, sua cultura, seus modos de vida. Busca homogeneizar a todos, transformando-os em empreendedores rurais, no modelo capitalista de ser. O incrível é que é o primeiro programa em que veja total sintonia entre os objetivos e o real sentido da inclusão... por mais paradoxo que possa parecer...

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