"Se tô dentro não tô fora
Se tô fora não tô dentro
Se tô fora não tô dentro
Se tô dentro, dentro eu vou ficar."
Esse trecho da
música "Tô dentro, Tô fora" expressa uma das ambiguidades do
termo Inclusão Digital.
Vamos pensar nos
sujeitos que vivem no campo que ainda enfrentam problemas com falta de
saneamento básico, em algumas realidades, falta de energia elétrica etc. O que
seria ser incluído digitalmente? Ao digitar as palavras chave: inclusão
digital e zona rural" no buscador, apareceram várias imagens, a que mais
me chamou atenção foi essa que mostra uma trabalhadora rural com um computador
na mão no meio da plantação de milho. Ser incluído então significa ter acesso
às tecnologias digitais?
O termo inclusão digital utilizado muitas
vezes, como marketing, pelo governo, instituições para compor "um jargão
apelativo nas abordagens políticas de caráter geral e populista" (BONILLA,
OLIVEIRA, 2011). Além de propagar o discurso da "inclusão digital" como
solução para todos os problemas sociais.
Podemos analisar o exemplo do
Serviço
Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), entre os
programas oferecidos pela instituição, tem o programa de Inclusão Digital Rural, entre os objetivos desse programa consta:
Beneficiar os
produtores e trabalhadores rurais com informações que agreguem conhecimentos modernos ao seu meio com vistas a alcançar a
eficiência na propriedade rural;
Promover mudança de hábito e comportamento com
vistas à nova identidade do produtor
como empreendedor rural;
Ao aprender a usar os recursos da informática
e da internet, as pessoas do meio rural podem fazer, gratuitamente, os
cursos de Educação à Distância do SENAR, a EaD-SENAR. Basta ter um computador
em casa, no sindicato ou acesso a uma lan house.
Veja se tem que
mudar de hábito e comportamento é porque existe um padrão, uma forma pronta que
vai possibilitar até uma “nova identidade”, além disso, os trabalhadores rurais
irão agregar conhecimentos “modernos”, tudo isso explicita uma visão de campo,
como lugar de atraso, do primitivo e que, portanto precisa da “inclusão digital”
para se modernizar. O que os sujeitos precisam é de um projeto de sociedade que
considere o campo como espaço de vida e respeite os modos de ser e fazer dessas
populações.
O acesso é
importante, mas o que está em discussão aqui são as ambiguidades e contradições
do termo inclusão digital. Além disso, esses programas e ações chegam às comunidades de forma
isolada, desarticulada, pois não consideram as especificidades dos processos
vividos pelas comunidades.
Não podemos
considerar os sujeitos que vivem no campo como "fora do social",
visto que fazem parte da sociedade, mas precisamos garantir a democratização do
acesso a todos os bens culturais, inclusive as tecnologias digitais. Apesar de
fazer parte da sociedade o que podemos discutir é a participação desses
sujeitos, pois ao restringir o acesso, e a compreensão política, a participação
dos sujeitos pode ser "subordinada, muitas vezes até alienada, mas faz
parte de um projeto de sociedade para manutenção do sistema
capitalista.(BONILLA, OLIVEIRA, 2011).
É necessário
superar a perspectiva da inclusão digital numa dimensão técnica, pois a forma
como as políticas são formuladas e implementadas parece que para as populações
que estão "fora" basta saber utilizar determinado programa, com
cursos rápidos preparatórios que serão incluídos, entretanto não discutem as questões sociais e políticas imbricadas nesse processo.
Se pensarmos quem
são os incluídos ou excluídos digitalmente, estamos partindo de uma concepção
dual que limita a complexidade das dinâmicas sociais, pois "incluir
significa inserir, introduzir, adaptar os indivíduos em determinado modelo, a
uma dada realidade pronta. (BONILLA, OLIVEIRA, 2011).
Temos que
possibilitar os sujeitos que vivem no campo e na cidade a democratização do
acesso as tecnologias digitais, isso significa considerar as peculiaridades de
cada comunidade, mas também devem ter como base os princípios do softwarelivre, que permita adaptar as necessidades dos sujeitos. Outro desafio é a
garantia da conexão de qualidade, ou seja, é preciso ter conhecimento da dimensão política, e não somente técnica que
está colocada.
Me gustó esa metáfora sobre lo que significa estar adentro y estar afuera. Ella representa, justamente, lo que pasa en nuestras sociedades latinoamericanas. Existe, a mi criterio, un desfase grande entre las políticas, la implementación y el letramiento. Creo que debemos trabajar en crear políticas acordes con nuestra realidad. Si no lo hacemos, vamos a continuar con los mismos problemas.
ResponderExcluirVixe!!! os objetivos desse programa de inclusão digital rural são de assustar, pois desconsidera totalmente o que seja um trabalhador do campo, suas especificidades, sua cultura, seus modos de vida. Busca homogeneizar a todos, transformando-os em empreendedores rurais, no modelo capitalista de ser. O incrível é que é o primeiro programa em que veja total sintonia entre os objetivos e o real sentido da inclusão... por mais paradoxo que possa parecer...
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