sábado, 22 de junho de 2019

Farinha pouca meu pirão primeiro NÃO! Farinha pouca um pouquinho para todo mundo.


Essa expressão baiana, utilizada em algumas entrevistas do professor e ativista Nelson Pretto, demonstra a necessidade de mudança individual, coletiva e sobretudo política em relação a democratização da comunicação. Isso significa ir além da liberdade de expressão, falar em Direito à Comunicação hoje num contexto de inserção das tecnologias digitais nos diversos âmbitos da sociedade, é sobretudo ter acesso à rede. No Brasil, o que temos é uma guerra entre as grandes empresas de telecomunicações para vê quem fica com o “pirão”primeiro. Temos o desafio de lutar por esse bem público (que está ameaçado) e ao mesmo tempo, de informar e conscientizar as pessoas dessa disputa. Pois infelizmente (não por acaso) a maioria da população não tem acesso as nuances que envolve o acesso à internet. Desde o governo de Michel Temer que os interesses privados são atendidos ampliando a lógica da privatização e enfraquecendo da pauta de luta por esse direito público a Comunicação.

A desinformação da maioria das pessoas no que se refere aos interesses políticos e de mercado é utilizada como estratégia de manipulação social, um exemplo claro é a quantidade de inverdades utilizadas pelo então eleito presidente do Brasil, Jair Bolsonaro durante a campanha e pós campanha alimentando um discurso de ódio. Estamos sofrendo um ataque a liberdade de expressão e ao direito à comunicação, que podemos perceber por meio da quantidade de assassinatos de comunicadores e ativistas nos últimos anos.
O que fazemos diante desse cenário? Temos que plantar a esperança, a vontade de luta e mudança! Historicamente passamos por muitos momentos difíceis, imagine se todos que sofreram no Regime Militar tivessem desistido de lutar?
De acordo com Bonilla e Pretto “ é na liberdade, e não no cerceamento, de forma coletiva e colaborativa, que o conhecimento é produzido, que a autoria e a criatividade emergem”(pág 24).
Diria que temos que enfrentar o cerceamento a partir do hackeamento compreendo este último, como um jeito hacker de ser que envolve a ética, a resolução de problemas, o compartilhamento das informações novas com toda a comunidade, a defesa pelo conhecimento livre e aberto, que apresenta um grande potencial para os processos comunicacionais, para tanto, é necessário investir na formação ética, estética e política de toda sociedade, para compreender o porque tem que ser “farinha pouca, um pouquinho para todo mundo”.

Um comentário:

  1. O pior é que se a farinha é pouca é porque se tornou estratégico torná-la escassa. Só assim se pode cobrar caro por ela, e em consequência, só quem tem recursos pode acessá-la. Como "a farinha" aqui é um bem imaterial - a comunicação - ela é, por natureza, abundante e pode ser disponibilizada para todos, universalizada. Por isso, precisamos de políticas públicas que visem os interesses da sociedade e não do mercado.

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