
Para
pessoas com deficiência que não se adaptam as tonalidades de vozes dos
softwares de leituras, ou até mesmo àqueles que além de cegos são surdos, podem
acessar o computador a partir do dispositivo de saída tátil, é possível
fazer a visualização das letras no sistema Braille, por intermédio de um
sistema eletromecânico, conjuntos de pontos que são levantados e
abaixados, produzindo uma linha de texto em Braille.
O
recurso de acessibilidade como o display braille
que aparece na imagem, exemplifica as possibilidades dos recursos na ampliação
de habilidades funcionais das pessoas com deficiência que podem proporcionar
maior independência. Esses recursos são caracterizados como Tecnologia
Assistiva (TA). As Tecnologias Assistivas ajudam as pessoas com deficiência
física ou mental que não tem a possibilidade de fazer algumas tarefas diárias
devido à falta de alguma funcionalidade. Segundo o
Comitê de Ajudas Técnicas (CAT),
Tecnologia Assistiva é uma área do
conhecimento, de
característica interdisciplinar,
que engloba produtos, recursos, metodologias,
estratégias, práticas e
serviços que objetivam promover a funcionalidade,
relacionada à atividade e
participação de pessoas com deficiência,
incapacidades ou mobilidade
reduzida, visando sua autonomia, independência,
qualidade de vida e inclusão
social. (CAT, 2007).
Há
alguns desafios que precisamos superar nesse contexto de inclusão social das
pessoas com deficiência. Galvão (2009) chama atenção à forma que muitas vezes o
mercado se apropria da "tecnologia assistiva" para vender produtos e
serviços com o argumento de que determinado recurso foi criado para atender a
necessidade educacional especial, o autor chama de "jogada de
marketing" pois muitas vezes são produzidos alguns softwares, por exemplo, com jogos com ênfase na memorização,
atenção para favorecer a aprendizagem no que se refere a alfabetização, contudo
em geral, não se diferencia em nada dos softwares
desenvolvidos nessa área para qualquer criança, com deficiência ou não. Não
basta a tecnologia ser utilizada por uma pessoa com deficiência para ser TA, é
preciso que possibilite a pessoa fazer coisas que antes não era possível fazer.
Assim "qualquer ferramenta, adaptação, dispositivo, equipamento ou sistema que favoreça a autonomia, atividade e participação da pessoa com deficiência ou idosa é efetivamente um produto de TA".(GALVÃO, 2012, p.12).
Podemos questionar se a utilização da TA no
ambiente educacional favorece a inclusão social das pessoas com deficiência?
Sabemos que a própria ideia de "inclusão" é problemática no sentido
colocar dentro quem está fora, e as pessoas com deficiência fazem parte da
sociedade, segundo Bonilla e Oliveira (2011) os indivíduos excluídos compõem a
sociedade, mesmo que na condição de regulação da manutenção de uma determinada
forma de dominação, não é possível considerá-los como estando “fora da
sociedade”.
Os estudos sobre a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente escolar apontam para a efetivação dos direitos dos alunos com deficiência de serem tratados com igualdades de oportunidades considerando suas especificidades (Mantoan, 2005). Dessa forma, as TA ampliam as habilidades dos alunos, mas não garantem por si só inclusão, visto que é preciso todo um trabalho que envolve o contexto macro depende das interações em contexto da escola a forma como esse aluno interage na comunidade, com a família e na escola que precisa de investimento em políticas públicas, elaboração de um currículo que considere as especificidades desses alunos, de investimento na formação de professores e na infraestrutura física e tecnológica da escola etc.
E caímos sempre no mesmo ponto: falta de políticas públicas! Se antes já era muito difícil, agora vai ficar pior, com os cortes de recursos para a educação. Parece que todas as conquistas feitas pela sociedade, que foram muito significativas, mas que ainda estavam engatinhando, frente à imensidão dos problemas presentes, vão se perder nesse "buraco negro" que se tornou o MEC, que tudo destrói. Teremos terra arrasada!
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