A utilização de software livre possibilita as pessoas o acesso ao conhecimento e ao processo de desenvolvimento do software, visto que a principal propriedade deste, é a liberação do código fonte o que possibilita estudar, modificar, adequar as suas necessidades e compartilhar novamente estas informações do código que foi atualizado, isso permite que milhões de pessoas no mundo possam ter acesso as modificações "falar em software livre, significa falar portanto, em democratização do acesso à tecnologia e ao conhecimento. (BONILLA, 2012, p.2). Diferente dos softwares proprietários, como o mais utilizado o Windows que o código fica restrito ao proprietário. Apesar desses benefícios do software livre sabemos que os mais utilizados são os softwares proprietários, qual seria o motivo dessa hegemonia?
Existem alguns fatores que podemos elencar: o poder do mercado de tecnologia com grande investimento e marketing para venda dos pacotes; o desconhecimento da sociedade dos princípios do software livre;
Na perspectiva do acesso ao conhecimento destacamos a importância dos processos educacionais para formação dos sujeitos que possibilitem uma análise crítica referente aos aspectos políticos, culturais e filosóficos que envolvem os processos de desenvolvimento do software.
A escola como espaço privilegiado de acesso e produção de conhecimentos é uma importante instituição social de fomento a perspectiva da liberdade do conhecimento. No Brasil, os programas de inserção das tecnologias digitais nas escolas brasileiras a partir de 2007, tem adotado como política a adoção de softwares livre nos computadores e dispositivos, no entanto apresentam alguns desafios.
Modelo Positivo Mobo S7
Podemos citar o laptop educacional, modelo Positivo Mobo S7 que foi enviado para as escolas do campo, foi analisado na pesquisa intitulada "Cultura Digital: limites e potencialidades dos laptops educacionais para as escolas do campo.". O sistema operacional instalado foi o Mandriva Linux que é baseado em software livre. No entanto, um dos softwares instalados foi o gnome Sound Recorder, que possibilita a produção e gravação do aúdio, mas na análise percebemos que não era possível a edição das produções, o que limita a possibilidade de remixar as produções, manusear e adequar o conteúdo a sua exigência.
No contexto da educação, o software precisa ser livre para que a própria comunidade possa mexer, mas as políticas do governo federal muitas vezes disponibilizam soluções fechadas que não permitem mudar uma configuração. Essa perspectiva não dá liberdade para os sujeitos de manipular, configurar para atender a sua necessidade, sem contar que disponibiliza o mesmo modelo, mesmas configurações para todo o país, colocando os alunos numa dimensão onde têm que usar o mesmo modelo. Dessa forma, estamos discutindo também uma concepção de educação, que nessa proposta consiste em reproduzir o mesmo, e não está em consonância com a dimensão da colaboração, do compartilhamento, dos processos educativos serem de descobertas, criatividade, liberdade, características fundamentais do movimento do software livre.
Não é só uma questão de software, mas também de cultura, tecnologia, ciência aberta, conhecimento aberto!!!

O grande problema envolvendo software livre nas políticas educacionais é que eles são adotados apenas pelo não pagamento das licenças e não pelos princípios e potencialidades dessa tecnologia. Aí, para manter o modelo educacional fechado, configura-se o software fechando suas possibilidades e enquadrando nos mesmos moldes dos proprietários, não avançando em nada nos processos pedagógicos.
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