Quem teve a experiência de vê e viver a
eleição de 2018 no Brasil, ficou em alguns momentos imaginando se estava
vivendo um pesadelo, mas infelizmente não acordamos ainda e o pesadelo
continua. É até difícil avaliar como que Jair Bolsonaro na época candidato e
agora presidente eleito, conseguiu vencer nas urnas com mais de 57
milhões de votos. Podemos começar a analisar as narrativas de 2017, em palestra
no Clube Hebraica do Rio em 2017:
"Eu fui em um
quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava 7
arrobas (...) nem para procriador eles servem"
"Eu tenho cinco
filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma
mulher"
O que dizer de um presidente que
usa expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo
diretamente vários grupos sociais? E mais ainda o que dizer do Supremo Tribunal
Federal que rejeitou a denuncia por crime de ódio.
De acordo com Carvalho "o
gesto narrativo diz sempre mais, e com maior complexidade, do que uma visada na
superfície permite vislumbrar". Deixo para você leitor a tarefa de
analisar e compartilhar aqui suas impressões para além da superfície das
narrativas do presidente, qual motivo de chegarmos até esse ponto de retrocesso
no nosso país?
O slogan da campanha:
Brasil acima de tudo! Deus acima de todos! nos faz lembrar uma das frases mais
repetidas por Hitler "Alemanha acima de tudo". Uma
característica marcante nas suas narrativas é o discurso de ódio aos
comunistas, aos homossexuais. E claro não poderia faltar o discurso de combate
à corrupção e com a veemência por reunificar o país. Esses aspectos
analisados por alguns historiadores e antropólogos como neonazismo.
Podemos refletir sobre as
estratégias que foram utilizadas na
construção das narrativas inclusive midiáticas, para atrair o público (ou
melhor os eleitores) para escolher esse presidente. Sabemos que foi a
partir de narrativas no Facebook e Twitter que o presidente
expressava suas "propostas" de campanha se é que posso chamar de
propostas.
As narrativas no Twitter continuam agora o presidente assume uma postura de vítima, está sofrendo ataque da mídia. Deixo em aberto as análises, veja esse post de 29 de março de 2019:
Sofro fake news diárias como esse caso da
"demissão" do Ministro Velez. A mídia cria narrativas de que NÃO
GOVERNO, SOU ATRAPALHADO, etc. Você sabe quem quer nos desgastar para se criar
uma ação definitiva contra meu mandato no futuro. Nosso compromisso é com você,
com o Brasil.
No entanto, Follain (2017) ressalta que a cultura midiática possibilita a diversidade das narrativas que a povoam e do entrecruzamento entre os diversos gêneros. Além disso, considero que os ambientes digitais ampliam as possibilidades de participação, e da criação de estratégias de resistência para que grupos historicamente silenciados possam ter voz, por meio das possibilidades do digital tivemos vários enfrentamentos a essas narrativas bolsonaristas, e diversos movimentos contrários.
No entanto, Follain (2017) ressalta que a cultura midiática possibilita a diversidade das narrativas que a povoam e do entrecruzamento entre os diversos gêneros. Além disso, considero que os ambientes digitais ampliam as possibilidades de participação, e da criação de estratégias de resistência para que grupos historicamente silenciados possam ter voz, por meio das possibilidades do digital tivemos vários enfrentamentos a essas narrativas bolsonaristas, e diversos movimentos contrários.
Pois é, mas infelizmente não conseguimos, com as narrativas contrárias, barrar a avalanche de narrativas fakes, o engodo de um processo eleitoral. A estratégia estava muito bem articulada e pegou a maioria de surpresa, sem tempo para desconstruir o processo e mostrar a falácia. Agora, precisamos conviver com essas narrativas e com as ações que as acompanham, por quatro longos anos. Uma lástima!
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