segunda-feira, 8 de abril de 2019

Narrativas de um presidente...


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 Quem teve a experiência de vê e viver a eleição de 2018 no Brasil, ficou em alguns momentos imaginando se estava vivendo um pesadelo, mas infelizmente não acordamos ainda e o pesadelo continua. É até difícil avaliar como que Jair Bolsonaro na época candidato e agora presidente eleito, conseguiu vencer nas urnas com mais de 57 milhões de votos. Podemos começar a analisar as narrativas de 2017, em palestra no Clube Hebraica do Rio em 2017: 
"Eu fui em um quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava 7 arrobas (...) nem para procriador eles servem" 

"Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher" 
O que dizer de um presidente que usa expressões de cunho discriminatório, incitando o ódio e atingindo diretamente vários grupos sociais? E mais ainda o que dizer do Supremo Tribunal Federal que rejeitou a denuncia por crime de ódio.
De acordo com Carvalho "o gesto narrativo diz sempre mais, e com maior complexidade, do que uma visada na superfície permite vislumbrar". Deixo para você leitor a tarefa de analisar e compartilhar aqui suas impressões para além da superfície das narrativas do presidente, qual motivo de chegarmos até esse ponto de retrocesso no nosso país?
 O slogan da campanha: Brasil acima de tudo! Deus acima de todos! nos faz lembrar uma das frases mais repetidas  por Hitler "Alemanha acima de tudo". Uma característica marcante nas suas narrativas é o discurso de ódio aos comunistas, aos homossexuais. E claro não poderia faltar o discurso de combate à corrupção e com a veemência  por reunificar o país. Esses aspectos analisados por alguns historiadores e antropólogos como neonazismo. 
Podemos refletir sobre as estratégias que  foram utilizadas na construção das narrativas inclusive midiáticas, para atrair o público (ou melhor os eleitores) para escolher esse presidente. Sabemos que foi a  partir de narrativas no Facebook e Twitter que o presidente expressava suas "propostas" de campanha se é que posso chamar de propostas.
As narrativas no  Twitter continuam agora o presidente assume uma postura de vítima, está sofrendo ataque da mídia. Deixo em aberto as análises, veja esse post de 29 de março de 2019:

Sofro fake news diárias como esse caso da "demissão" do Ministro Velez. A mídia cria narrativas de que NÃO GOVERNO, SOU ATRAPALHADO, etc. Você sabe quem quer nos desgastar para se criar uma ação definitiva contra meu mandato no futuro. Nosso compromisso é com você, com o Brasil.

No entanto, Follain (2017) ressalta que a cultura midiática possibilita a diversidade das narrativas que a povoam e do entrecruzamento entre os diversos gêneros. Além disso, considero que os ambientes digitais ampliam as possibilidades de participação, e da criação de estratégias de resistência para que grupos historicamente silenciados possam ter voz, por meio das possibilidades do digital tivemos vários enfrentamentos a essas narrativas bolsonaristas, e diversos movimentos contrários.

Um comentário:

  1. Pois é, mas infelizmente não conseguimos, com as narrativas contrárias, barrar a avalanche de narrativas fakes, o engodo de um processo eleitoral. A estratégia estava muito bem articulada e pegou a maioria de surpresa, sem tempo para desconstruir o processo e mostrar a falácia. Agora, precisamos conviver com essas narrativas e com as ações que as acompanham, por quatro longos anos. Uma lástima!

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